sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Um pouco de poesia...

Do poeta cachoeirense Newton Braga, em Lirismo Perdido, “O mal que te desejo”: “Bem sabes que, se um dia, na estrada da vida,/ o destino me destacasse entre os humanos,/ como um eleito sobrenatural,/ e colocasse ao alcance de minhas mãos vazias/ a flor raríssima e sonhada/ que os homens chamam de felicidade,/ eu a colheria, carinhosamente,/ e iria depositá-la a teus pés,/ como oferenda de meu pobre amor./ [...] No entanto, eu te desejo um mal,/ eu te desejo um sofrimento enorme, sem remédio:/ - perdoa: que tu sentisses, de mim,/ a saudade que sinto de ti.”

Setembro Amarelo e Verde

Setembro é um mês diferente. Inicia a primavera, lembra as flores. Lembrança da pintura do florentino Sandro Botticelli e o Nascimento de Vênus.  A deusa do amor e beleza em uma concha sobre as espumas do mar em meio às pétalas de rosas. Em Cachoeiro, mês dos ipês e flamboyants, mudanças de cores e nas nossas emoções. Coisas subjetivas, que nos leva a pensar na vida. Nada mais oportuno que, usar este mês para campanhas pelo Brasil afora: prevenção do suicídio (Setembro Amarelo), isto é, evitar a morte; e, também, o Verde para doar órgãos e tecidos (órgãos sólidos – rim, coração, pulmão, fígado; tecidos e células – doação de sangue e córnea). Setembro Verde para promover a vida. Setembro nos faz solidários. O altruísmo, devido o amor e beleza, fica à beira da pele. Com isso pensamos no outro, em sua angústia, sua dor não física, seu desespero. O suicídio é uma causa de morte traumática crescente em todo o mundo, no Brasil inclusive. As causas são variadas: doenças psiquiátricas (depressão, esquizofrenia, transtorno do humor), causas comportamentais e estilo de vida, dificuldades financeiras, uso abusivo de álcool e outras drogas...  O suicídio tem o preconceito como um dos maiores obstáculos para diminuirmos sua incidência. A sociedade, bem como os familiares do suicida, se esconde. Não se conversa sobre o assunto. Interessante que, ao falarmos com uma pessoa que tentou o suicídio, horas ou dias depois do acontecimento, ele ou ela não mais manifesta o desejo de ceifar a vida. Porém, não é uma garantia de que as tentativas não mais acontecerão. Pelo contrário, logo em seguida a uma tentativa, são momentos que devemos ficar mais atentos. Familiares e equipe de saúde mental devem aumentar a vigilância. Que o amarelo das pinturas de Van Gogh, um artista que ceifou a vida, nos alerte sobre a prevenção. No Brasil, o dia do alerta é 10 de setembro.
Além de Amarelo, o mês é Verde. Mais que prevenir a morte, podemos doar vida, mesmo após a morte. A doação de órgãos e tecidos permite isso. Ainda que a paralisação completa da circulação e até do coração aconteça. A vida pode ser estabelecida em outra pessoa. Uma obra maravilhosa dos homens. A ciência em favor do corpo humano. Por isso, a comemoração em 27 de setembro, dia de Cosme e Damião, os Santos católicos, protetores dos transplantados, considerados os primeiros médicos a realizar um transplante. Um milagre da idade média. A vida em vida: doadores de sangue. Esquecemos, frequentemente, que essa é uma das ações mais solidárias. A doação em vida, doar sangue para parente próximo ou para um desconhecido e rim para um parente. Depende da nossa vontade.  A doação de outros órgãos, após a morte, depende de manifestar o desejo em vida e comunicar aos familiares. Portanto a ação solidária é parte da nossa consciência. Depende de nossa decisão. A doação de córneas deve ser incentivada. Permitir a recuperação da visão do amarelo e verde. Enxergar o Outubro Rosa, Novembro Azul e o branco da paz de dezembro, janeiro...



Sergio Damião Santana Moraes

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Um pouco de poesia

De Florbela Espanca, poetisa portuguesa do início do século XX, “É um não querer mais que bem querer”: “São mortos os que nunca acreditaram/ Que esta vida é somente uma passagem,/ Um atalho sombrio, uma paisagem/ Onde os nossos sentidos se poisaram./ São mortos os que nunca alevantaram/ De entre escombros a Torre de Menagem/ Dos seus sonhos de orgulho e de coragem,/ E os que não riram, e os que não choraram./ [...] Sobem-me aos lábios súplicas estranhas.../ Sobre o meu coração pesam montanhas.../ Olho assombrada as minhas mãos vazias...”

Vi Ver Unimed

 As ações sociais, o comprometimento comunitário de uma empresa, tornam-se essencial em nosso país. Uma realidade em empresas do mundo inteiro. Em nossa região a Cooperativa Médica Sul Capixaba - Unimed se sobressai nos 30 municípios sulinos. Em Cachoeiro de Itapemirim, nos últimos meses, o Núcleo Feminino Cooperativista se destaca. As mulheres – médicas, colaboradoras e esposas de médicos cooperados vão fazendo a diferença. Um projeto chama a atenção, significativo para as crianças, e de grande alcance humano e social: identificar crianças do ensino fundamental com deficiência visual. Um trabalho das mulheres da Cooperativa Médica Sul Capixaba em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. Realizado, inicialmente, na Escola Florisbelo Neves – Novo Parque. Com o apoio da diretora (Elisângela Chamon) e professores da Escola Florisbelo, após treinamento dos mestres, foram triados 449 alunos e identificadas 58 crianças para consulta oftalmológica na Unimed. O Grupo Unimed (Médicas: Fabiola, Delmontina, Stélida, Ermelinda e Regina; Esposas de cooperados: Paula e Marilza; Colaboradoras: Paula Matielo, Fátima Chicon, Rita Martins, Janete, Paula – da Casa do Cooperado e Aline) vão se revezando nos cuidados às crianças. Parece que, cuidar de outra pessoa, doar o tempo que muitas vezes não temos, satisfaz mais a quem cuida do que a quem é cuidado. No dia a dia, doa quem não tem tempo; aqueles que o tem, perde-se em divagações que o leva a angústia. Os sem tempo aproveitam cada minuto, cada segundo, e os transforma em ações. A retribuição não é em palavras, e sim, em olhares, um olhar de gratidão. Uma das primeiras crianças a receber o óculos apresentava uma deficiência visual importante, até então não identificada, quando recebeu as lentes, disse: “Mãe... Eu vou poder ver a lua!” Era um final de tarde, a noite se chegava, com o crepúsculo, o céu apresentava as primeiras estrelas, a lua se insinuava. Da varanda do auditório da Unimed, ele enxergou a lua em detalhes e se encantou. Naquela noite encantada, ele sonhou com o satélite e com o restante dos astros. No dia seguinte veria com nitidez as letras do seu livro.
Os projetos sociais, de forma particular ou de empresas, não são fáceis de manter. Muitos são os empecilhos: amadorismo, relacionamentos conflituosos, até as coisas do ser humano – invejas, intolerâncias... Coisas que não deixam o bem se concretizar. Mas, de tudo, acho que a motivação, o altruísmo, deve se impor. A ação social existe pela necessidade do ser humano em realizar o bem. Agir como o colibri em um incêndio de floresta. Em seu bico uma gota d´água. Não importa o tamanho da ação, e sim, o que ela desencadeia nos nossos sentimentos e nas outras pessoas. Assim como a criança demonstrou satisfação em ver a lua. Quando criança, junto ao meu pai, eu pedi: Pai... Ajude-me a enxergar o mar! Foi quando despertei para a beleza das coisas da vida.



Sergio Damião Santana Moraes