segunda-feira, 17 de julho de 2017

Maçonaria

A maçonaria é uma escola filosófica. Iniciática. Ensina gradativamente, aos seus iniciados, as virtudes humanas. O grande segredo da maçonaria é este: altruísmo - uma disposição para o bem. Despertar no homem sua melhor parte. Não só para uma vida nas relações materiais mundanas, mas, principalmente, seu aprimoramento espiritual. A maçonaria difere de um Clube de Serviço, onde a filantropia se faz presente integralmente.  Busca aprimorar o homem para a vida profana – aspectos intelectuais e humanitários. A filantropia é uma de suas missões. As virtudes teologais: fé, esperança e caridade, são sempre presentes em seu meio. Sem elas, perdemos o sentido humano - a compaixão.  Por ser milenar em sua filosofia, eclética, com os vários ensinamentos e aprendizados absorvidos das várias civilizações, ela possui uma simbologia. Com ela aprende-se a importância da discrição, humildade, fraternidade e de se livrar das vaidades. Vencer paixões e vícios. A simbologia, assim como foi importante para os primeiros humanos, com suas pinturas rupestres – desenhos e gravuras nas paredes das cavernas, facilita gravar e refletir os ensinamentos. O Templo, lugar onde os maçons se reúnem, e formam suas Lojas, é onde guardam e preservam seus símbolos. Símbolos que se formaram e fizeram ao longo dos séculos. Provém dos egípcios, gregos e romanos. Da cultura ocidental e oriental. Dos artesões – pedreiros e arquitetos, responsáveis pela construção das catedrais da idade média. Na ocasião, os mestres (parte proveniente da Ordem dos Cavaleiros Templários) - pedreiros livres para exercerem sua profissão, transmitiam seus conhecimentos aos aprendizes. Reuniam-se em Guildas - local próprio para uma reunião. Com a evolução da sociedade, sua industrialização, a Inglaterra e vários países da Europa, não mais necessitaram desses artesãos. Em 1717, em Londres, nasce a maçonaria moderna, dita especulativa (filosófica), em substituição à maçonaria operativa (dos artesãos). Gradativamente, as ideias iluministas são incorporadas. Ideias como: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Suas influências se fizeram presentes na independência dos Estados Unidos e do Brasil. Permaneceram no Brasil Império com a contribuição na libertação da escravidão e formação da República. Em Cachoeiro, destacou-se o maçom Bernardo Horta, como um dos mais ilustres republicanos.
São trezentos anos da moderna maçonaria. Muitos mitos. Grande parte, sem fundamento. Fruto da ignorância e preconceito. A maçonaria, como instituição, é perfeita; os homens não. Sendo assim, podem errar. Na verdade, a perfeição é somente para Deus. Pela perfeição do Universo, o chamamos de Supremo Arquiteto do Universo. O maçom é alertado, dia a dia, para o caminho virtuoso. O coração do verdadeiro maçom é sensível ao bem. Neste momento, no Brasil e no mundo, onde os valores éticos e morais estão comprometidos, bem como a intolerância e preconceitos raciais e de gênero exacerbados, cada vez mais a necessidade de mudanças de rumo se faz necessário. Instituições como a maçonaria devem se fazer presentes e atuantes.


Sergio Damião Santana Moraes

Um pouco de poesia...

De Chacal, rápido e rasteiro: “vai ter uma festa/ que eu vou dançar/ até o sapato pedir pra parar./ aí eu paro/ tiro o sapato/ e danço o resto da vida.”

Avenida Pellegrino

A mais elegante de São Paulo. Parte dela, seus últimos dois quilômetros, da Vila Olímpia até o Parque do Ibirapuera, mais ainda. Arborizada. Edifícios, maioria moradia, de arquitetura instigante. Um contraste com a Avenida Santo Amaro que a cruza em seu início. De contraste em contraste as cidades crescem. A partir do momento que mudamos dos campos, e criamos as cidades, fomos aprendendo a viver em comunidades. Algo incipiente, mas em evolução. Alcançamos a perfeição biológica, ainda evoluímos no social e ambiental. Existem dúvidas se teremos tempo para as evoluções necessárias. Caminhar ou pedalar pela Pellegrino é um alento. Comparada à Avenida Paulista (coração financeiro paulista), a Pellegrino nos conforta.  Suas árvores, suas subidas e descidas, diz que sim, teremos tempo para amadurecer. Aos domingos, parte da avenida é ocupada por faixas de ciclovias. Homens e mulheres, adultos e crianças, com bicicletas de diversos tipos e roupas de diferentes cores alegram e animam os que optaram pelo caminhar. São Paulo, no outono, de temperatura amena, oferece o Parque Ibirapuera. Pela Pellegrino, antes do parque, encontra-se o bairro Moema e suas ruas com nomes de índios e pássaros brasileiros, lembra a diversidade do Brasil tropical, uma prova de bom local para se viver, apesar do imenso concreto das cidades. O paulistano se realiza no Ibirapuera. Dentro do parque caminha-se em torno do lago. Observar os prédios que se sobressaem acima das árvores é a mesma sensação dos parques do centro de Nova York. Uma visão da imaginação. Algo existente e produzido pelas cidades.
            Retornar pela Pellegrino, descer por suas ladeiras, observar melhor suas árvores e prédios, libera boas sensações. Mesmo com milhões de habitantes, a cidade é o nosso melhor habitat. Não temos saída, mais de 80% da população vive e viverá em uma cidade. Um imenso condomínio, regras civilizatórias devem ser ampliadas e executadas. Aprender desde a infância. Usar a imaginação nas regras e em sua divulgação. Em vez de grandes letreiros, de grandes placas, pequenos sinalizadores. Surpreende-me o sinal de identificação do metrô paulistano. Pequeno. Discreto. Um sinal quase humano. Porém, podemos viver com milhões de pessoas. Podemos nos encontrar em qualquer ponto do planeta. Mas, gradativamente, voltamos ao nosso bairro, nossa rua, residência, quarto e computador. Sozinhos, dentro de nós mesmos. Voltamos ao nosso espaço: micro espaço. Aos conflitos internos. Nossas angústias, medos, egoísmo e agressividades. Conviver, seja em uma pequena ou grande cidade, dependerá desses acertos. A beleza de uma cidade sempre será encontrada. Em uma grande Avenida ou pequena rua. No fim, a cidade é o melhor local para se viver e morrer.

Sergio Damião Santana Moraes

Um pouco de poesia...

De Torquato Neto, Cogito: “eu sou como eu sou/ pronome/ pessoal intransferível/ do homem que iniciei/ na medida do impossível/ eu sou como eu sou/ agora/ sem grandes segredos dantes/ sem nomes secretos dentes/ nesta hora/ eu sou como eu sou/ presente/ desferrolhado indecente/ feito um pedaço de mim/ eu sou como eu sou/ vidente/ e vivo tranquilamente/ todas as horas do fim.”